Escondi-me no teu cabelo enquanto li a poesia. Ouvi o rasgar da pele na ponta da minha caneta. Demorei. Em alguns minutos engoli o meu corpo e vesti, tolhido, a minha alma com a roupa amorfa do fim do dia. No teu cabelo perco a inocência. A coerência igualmente. Escrevo, despido, o tempo que parou e não passa. Não resolve o mofo das coisas nem, tão pouco, remove a hora e a caneta da minha mão. Tão macio o teu cabelo...
Macau, 11 de Junho de 2011
sábado, junho 11, 2011
segunda-feira, maio 30, 2011
ténue brisa
se soubesses e me sentisses em ti
farias o mundo ruir na próxima hora.
acordarias a cidade num grito de libertação e
as pessoas paravam à tua passagem.
destruías paredes que te deixam presa e
amordaçada no tempo perdido.
estou no fim da avenida que percorres.
para que tudo seja mais fácil, acena e sorri à ténue brisa que passa.
já te consigo ver.
vens envolta na magia das palavras e
eu começo agora a escrevê-las!
Macau, 30 de Maio de 2011
farias o mundo ruir na próxima hora.
acordarias a cidade num grito de libertação e
as pessoas paravam à tua passagem.
destruías paredes que te deixam presa e
amordaçada no tempo perdido.
estou no fim da avenida que percorres.
para que tudo seja mais fácil, acena e sorri à ténue brisa que passa.
já te consigo ver.
vens envolta na magia das palavras e
eu começo agora a escrevê-las!
Macau, 30 de Maio de 2011
sábado, maio 21, 2011
dias perdidos
soltei um abraço enquanto sorriste.
nesse momento tive a dúvida da tua presença.
já não tenho certezas quando me vejo só e
a tua fotografia não me tira o mofo da alma.
sugeri segredos no passado que
agora escrevo nestas linhas para revelar a solidão.
mesmo de mãos dadas
sinto a melancolia da música de dias perdidos.
neste papel quero pontuar as frases inacabadas e
o soluço constante de uma vontade incerta.
por onde andas?
perdeste-me nos dias e
eu nada fiz senão ouvir o teu silêncio.
Macau, 22 de Maio de 2011
nesse momento tive a dúvida da tua presença.
já não tenho certezas quando me vejo só e
a tua fotografia não me tira o mofo da alma.
sugeri segredos no passado que
agora escrevo nestas linhas para revelar a solidão.
mesmo de mãos dadas
sinto a melancolia da música de dias perdidos.
neste papel quero pontuar as frases inacabadas e
o soluço constante de uma vontade incerta.
por onde andas?
perdeste-me nos dias e
eu nada fiz senão ouvir o teu silêncio.
Macau, 22 de Maio de 2011
domingo, maio 01, 2011
Gasto
Olhei o espelho.
Nenhuma admiração, estou velho.
Reparei nos cabelos brancos ou nos outros que caem,
por entre os dedos, enquanto me lamento.
Ainda ontem tinha menos um dia.
Hoje sinto-me acabado, gasto e preso
numa corrente de equívocos que não sei decifrar.
Passo os dedos pela face.
Descubro a agrura da pele seca e da barba por fazer.
Desleixo ou simplesmente medo pelo amanhã?
Gastei-me de tanto me ver.
Virei a face.
Responde-me espelho, estarei velho?
Macau, 1 de Maio de 2011
Nenhuma admiração, estou velho.
Reparei nos cabelos brancos ou nos outros que caem,
por entre os dedos, enquanto me lamento.
Ainda ontem tinha menos um dia.
Hoje sinto-me acabado, gasto e preso
numa corrente de equívocos que não sei decifrar.
Passo os dedos pela face.
Descubro a agrura da pele seca e da barba por fazer.
Desleixo ou simplesmente medo pelo amanhã?
Gastei-me de tanto me ver.
Virei a face.
Responde-me espelho, estarei velho?
Macau, 1 de Maio de 2011
sábado, abril 30, 2011
A noite
A noite cai aos pedaços nesta cidade.
Sugiro que leias este poema.
Para ti escrevo depois de olhar o céu.
Cheirei a tua almofada para me erguer,
ainda à pouco, antes de sair.
Precisei de sentir o teu cabelo na minha face.
Na respiração profunda encontrei o teu odor e
desenhei, na mente, o teu sorriso.
Estes pedaços de noite caem, pesados, em mim.
Agora só me resta abraçar-te no próximo instante.
Deixei a almofada para trás e só te quero a ti,
nesta noite que me envolve as mãos.
Só ela me obrigaria a escrever este poema.
Ela e tu... ao meu lado enquanto caminho.
Macau, 30 de Abril de 2011
Sugiro que leias este poema.
Para ti escrevo depois de olhar o céu.
Cheirei a tua almofada para me erguer,
ainda à pouco, antes de sair.
Precisei de sentir o teu cabelo na minha face.
Na respiração profunda encontrei o teu odor e
desenhei, na mente, o teu sorriso.
Estes pedaços de noite caem, pesados, em mim.
Agora só me resta abraçar-te no próximo instante.
Deixei a almofada para trás e só te quero a ti,
nesta noite que me envolve as mãos.
Só ela me obrigaria a escrever este poema.
Ela e tu... ao meu lado enquanto caminho.
Macau, 30 de Abril de 2011
segunda-feira, março 07, 2011
imaginário
não fales mais essas palavras
presas na tua boca e
gastas pelo tempo que passa.
não brinques com o amor,
quando estou envolto no teu sorriso.
nele resolvo a minha tristeza.
levo comigo esse sorriso
pela rua da solidão onde me perco,
longe, na calçada sem fim.
sorri. sorri sempre quando estiver aí,
a contemplar o teu corpo que, agora,
presas na tua boca e
gastas pelo tempo que passa.
não brinques com o amor,
quando estou envolto no teu sorriso.
nele resolvo a minha tristeza.
levo comigo esse sorriso
pela rua da solidão onde me perco,
longe, na calçada sem fim.
sorri. sorri sempre quando estiver aí,
a contemplar o teu corpo que, agora,
só possuo no meu imaginário.
Macau, 7 de Março de 2011
Macau, 7 de Março de 2011
terça-feira, fevereiro 15, 2011
noite triste e húmida
nada te digo que não seja verdade. quero que saibas que tenho frio. tu bem sabes que é difícil ter frio mas estou deitado, sozinho, abandonado nesta insónia. o barulho da chuva prende-te no meu pensamento. confunde-me a tua ausência física e a metamorfose a que te constantemente te confinas. é tarde em Macau e, de soslaio, a hora que passa não me deixa dormir. estás em mim como estas gotas que tilintam nos telhados e ali ficam, perdidas no algeroz deste prédio velho onde moro. a cidade apresenta-se despida, sem nada que a mantenha de pé. triste, negra, molhada. Inibida de nós, subtraída dos demais. é tarde, muito tarde, em Macau. neste cantinho vesti-me de duende e escolhi o sono que teima em chegar a esta floresta húmida e fria. prendes-me! fico tão agarrado a mim que não consigo escorrer-me por dentro. que a chuva me limpe, enfim, sem te levar não muito longe. quero apenas dormir. até amanhã
Macau, 14 de Fevereiro de 2011
Macau, 14 de Fevereiro de 2011
segunda-feira, fevereiro 14, 2011
o frio nos teus seios
lembrei-me da tua cara e desse olhar desconfiado. rasga a tua vergonha como eu rasguei um dia a tua camisola. notei logo a volúpia do teu peito. tens facilidade em ficar com os mamilos tesos nesses teus seios redondos e firmes. foram desenhados a preceito, te garanto. agora me lembro de como gosto desses mamilos rijos onde me degustei por vezes sem conta. manda-me uma fotografia. quero vê-los novamente. por agora só me perco neles à distância
Macau, 14 de Fevereiro de 2011
terça-feira, fevereiro 01, 2011
sóbrio
estou sóbrio.
já não bebo há dois minutos.
as minhas veias revoltam-se
pela falta que lhes faz o teu licor.
desse destilado sou um dependente eterno.
afinal prefiro ficar bêbado,
arrastando o pensamento nesta escrita
que pede mais de ti e
do teu líquido mágico.
ainda não descobri o porquê,
mas o álcool que me dás inebria-me
a existência neste papel onde escrevi,
vezes sem conta,
um poema gasto e volátil.
Ai como sinto o sangue a fervilhar
na loucura desta bebedeira,
e mais outra.
rasurei...
já não bebo há dois minutos.
as minhas veias revoltam-se
pela falta que lhes faz o teu licor.
desse destilado sou um dependente eterno.
afinal prefiro ficar bêbado,
arrastando o pensamento nesta escrita
que pede mais de ti e
do teu líquido mágico.
ainda não descobri o porquê,
mas o álcool que me dás inebria-me
a existência neste papel onde escrevi,
vezes sem conta,
um poema gasto e volátil.
Ai como sinto o sangue a fervilhar
na loucura desta bebedeira,
e mais outra.
rasurei...
31 de Janeiro de 2011
segunda-feira, janeiro 24, 2011
fumo
fumo,
sozinho...
sozinho...
perdido nesta noite
que me engole a alma,
fumo um cigarro e
olho este fumo que
desenha o teu corpo.
por entre os dedos sinto
as curvas desse corpo nú,
deitado aqui na minha lembrança.
sou mais completo
quando te tenho,
mesmo à distância,
na imaginação que o fumo
deste cigarro me provoca.
Macau, 19 de Janeiro de 2011
quinta-feira, janeiro 06, 2011
quarta-feira, janeiro 05, 2011
instante em mim
neste instante em mim
procuro o teu olhar despido
com a cor do céu e do mar
no horizonte que me rege.
sou mais eu contigo e
com esse olhar que me vicia a libido.
do teu olhar bebo
a secura da minha sede e
com ele me deito, todos os dias,
quando a noite já vai longa e
teima não fechar os meus olhos.
Macau, 30 de Dezembro de 2010
segunda-feira, dezembro 06, 2010
Assumo-te
Sou eu quem te chama.
Aclama por ti dia e noite.
Apelo para te ver.
Cheirar a tua pele e
sentir o teu corpo suave.
Loucura que me mostras, inocente,
esta mistura doce do teu cabelo entre os meus dedos.
Solitário sou quando não te tenho
mas anseio.
Amo-te na passagem de todas as horas
mesmo quando fechado neste armário que é o meu corpo.
Espalha em mim a delicadeza do seres mulher,
que te assumo, urgente,
no meu futuro a dois.
Macau, 6 de Dezembro de 2010
sexta-feira, agosto 06, 2010
espero
se soubesses as palavras amordaçadas
que ainda não te disse
virias para as ouvir e
tatuava na tua pele o meu cheiro.
soletravas o meu toque no teu corpo
para assim durar eternamente e
o sopro da tua boca, em mim,
seria mais ténue e
suave que o vento que nos envolve.
sábado, julho 31, 2010
Mensagem
à Vanessa
Se souberes como me chamar, chama.Podes sempre chamar-me.
Diz o meu nome ao sol nascente
E soletra cada letra que o compõe.
Podes, também, escrevê-lo nas paredes da tua rua.
Ao passares lembras a minha existência noutro lugar que não o teu.
Envia-me a mensagem que estás aí,
Que eu te ouço ao longe, na passagem do tempo,
Onde a distância nos devolve um ao outro virtualmente.
31 de Julho de 2010
terça-feira, julho 20, 2010
domingo, julho 18, 2010
sexta-feira, julho 09, 2010
"Etéreo" participa em Prémio Literário
O meu livro de poesia "Etéreo" foi proposto, pela editora Temas Originais, ao Prémio Literário Casino da Póvoa – 2011.
domingo, junho 06, 2010
Sensações
Bebi a tua água e
Refresquei a minha alma.
Traduzi, neste rio,
A linguagem oculta do teu ser.
Criei histórias loucas por te sentir em mim
E abri o livro do meu sonho.
Perdido neste ar,
Preso no vento do teu sorriso.
A porta aberta do teu rosto, a todo o tempo,
Me deixa respirar.
4 de Junho de 2010
Refresquei a minha alma.
Traduzi, neste rio,
A linguagem oculta do teu ser.
Criei histórias loucas por te sentir em mim
E abri o livro do meu sonho.
Perdido neste ar,
Preso no vento do teu sorriso.
A porta aberta do teu rosto, a todo o tempo,
Me deixa respirar.
4 de Junho de 2010
sexta-feira, abril 16, 2010
Mariana
Grito por ti nas horas soltas do tempo.
Não te ter causa-me dor por dentro,
Onde me encontro sozinho quando me percorro.
Adormeço a ansiar que me agarres de vez
Sabendo, agora, que essa luz me é proibida.
A tua luz, sempre reluzente, mas difícil de alcançar.
Vejo-te poema de horas tardias,
Que escrevo com desespero por estares tão longe,
Onde as palavras se confundem umas com as outras,
Seguidas pelas anteriores que te quis dedicar e
As próximas que não sei se deva escrever.
Construo-te em versos e rimas
Que fogem, entretanto, não sei bem para onde
Por entre os meus dedos, a caneta e o papel.
És memória da minha lembrança e afogas o meu pensamento
No teu inebriante cheiro.
Choro, pobre e sozinho, esta escrita que me apetece apagar
E não consigo, por estar preso à tua boca que anseio provar.
Nem na Primavera as flores me trazem o pólen e a tua presença.
Há ao meu redor a beleza que és de braços abertos
E nas estrelas do céu se desenha a tua face.
Não há outras quando te tenho no coração
E a minha mão se abre à espera da tua.
É esta a ferida que me arde no corpo preso
E à espera que o encontres de vez.
16 de Abril de 2010
Não te ter causa-me dor por dentro,
Onde me encontro sozinho quando me percorro.
Adormeço a ansiar que me agarres de vez
Sabendo, agora, que essa luz me é proibida.
A tua luz, sempre reluzente, mas difícil de alcançar.
Vejo-te poema de horas tardias,
Que escrevo com desespero por estares tão longe,
Onde as palavras se confundem umas com as outras,
Seguidas pelas anteriores que te quis dedicar e
As próximas que não sei se deva escrever.
Construo-te em versos e rimas
Que fogem, entretanto, não sei bem para onde
Por entre os meus dedos, a caneta e o papel.
És memória da minha lembrança e afogas o meu pensamento
No teu inebriante cheiro.
Choro, pobre e sozinho, esta escrita que me apetece apagar
E não consigo, por estar preso à tua boca que anseio provar.
Nem na Primavera as flores me trazem o pólen e a tua presença.
Há ao meu redor a beleza que és de braços abertos
E nas estrelas do céu se desenha a tua face.
Não há outras quando te tenho no coração
E a minha mão se abre à espera da tua.
É esta a ferida que me arde no corpo preso
E à espera que o encontres de vez.
16 de Abril de 2010
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