Quinta-feira, Novembro 05, 2009

sem destino

hoje e sempre citadino
percorro esta calçada à portuguesa,
onde vagueio sem destino,
na busca incessante de alguma certeza.

5 de Novembro de 2009

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Terça-feira, Novembro 03, 2009

Sofá das Ilusões

Vou andando, alheio e devagar, ao teu encontro.
Estás meio perdida, deitada no teu sofá,
E junto a um copo vazio.
Descansas na esperança que chegue
E te ponha no meu colo.
Nesse momento serei apenas eu e tu,
Porque existes dessa forma,
Prostrada no sofá das ilusões,
Assim meio tosca mas, com sentido único.

3 de Novembro de 2009

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Quarta-feira, Outubro 21, 2009

diluído

esta chuva que cai
e me limpa o raciocínio das contas feitas;
de uma vida passada a custo pela matemática da memória
e que agora se dilui.

21 de Outubro de 2009

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Terça-feira, Outubro 20, 2009

A preparar o segundo livro...

Estou já a preparar o meu segundo livro de poesia que deverá (ainda estou a alinhavar com a editora) ser apresentado em Fevereiro e deve ser composto por 50 poemas.

Vou dando notícias!

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Quarta-feira, Outubro 14, 2009

Apresentação da Antologia "Tu cá, Tu Lá"

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Ao virar da esquina

Vejo-me na rua.
Viro uma esquina, outra a seguir.
Ao fundo acenas ao meu sorriso.
Nele tens a certeza que existo a teu lado.

É verdade,
Sou mais feliz ao virar da esquina e encontrar-te ali,
Junto ao sorriso do meu rosto.

13 de Outubro de 2009

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Quarta-feira, Setembro 09, 2009

Coisas assim

Escrevo coisas assim, tais como as que vão ler de seguida.
Estas coisas são mesmo assim. Saem de mim como uma fonte de palavras e anseios à mistura.
Há dias em que me sinto um pouco apagado mas sei que isso é um mero equívoco do presente; noutros desenho as palavras recortando o amor num mero papel.
É como vos digo, sou assim... escrevo coisas assim, seja no meu sofá laranja como no banco do jardim, para mim tanto faz desde que escreva.
Sou introspectivo. Mergulho constantemente na minha essência e, por vezes, num copo de vinho. Sim, daquele que também tu bebes... d’ o nosso vinho e ficar por aqui, encostado, à espera do fim e ficar fora do prazo daquilo que estou gasto de ser.

7 de Setembro de 2009

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Terça-feira, Agosto 04, 2009

O inesperado

Rolei a cabeça para te encontrar.
Estavas aí, vestida de perfume brando e sincero,
Onde a loucura se encontra com a razão.
Não te vi no passado. Passava e não parava.
Estavas ausente no meu olhar.
Aconteceu o inesperado!
Consigo olhar nos teus olhos e me perder.
Não sei o que queres ao baralhar-me.
Contigo me perco, agora, onde nunca me encontrei.
Quem és? O que fazes?
De ti pouco sei, mas gosto.
Sou masoquista ao te desejar,
Pois nunca o quis.
Nem a ti, nem a este momento.
Vou ficar a assistir a esta ocasião,
Que de certa nada tem senão a certeza que gosto.
O imprevisto aconteceu...
Já nada me pasma a voz secreta do coração.

4 de Agosto de 2009


Dedicado à PF

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Quarta-feira, Julho 29, 2009

Banco de jardim

Apetece-me!
Hoje sento-me no banco do jardim.
Aqui espero a tua chegada.
Hás-de vir um dia, eu sei.
Rodeiam-me os passos do sossego.
Ao virar a face creio em ti no horizonte.
Não estou aqui a todo o momento;
Vou e venho amiúde, e me tolero
Neste jogo de anseio.
Entretanto se chegares e não me vires,
Pergunta por aí onde me encontro.
Não creio que o banco de jardim te responda
Pois nele não mais me sentei.

29 de Julho de 2009

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Sábado, Julho 18, 2009

Tu e Eu

Às vezes há momentos que são eternos.
Só de estarmos aqui, lado a lado, juntos
A ouvir o som do ar que nos rodeia.
Apenas isso me basta no conforto de te sentir em mim.

18 de Julho de 2009

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Terça-feira, Julho 14, 2009

Prazo

É na parede branca que penduro um quadro.
Nele contem a imagem de uma fotografia qualquer.
Podia ser eu, podias ser tu, podíamos ser nós os dois
Se tempo houvesse para isso.
Esse prazo começa a expirar.
Já não controlo a medida arbitrária da duração das coisas,
E isso deixa-me ridículo e silencioso.
Se soubesses como gostava de controlar a vontade,
No espaço e no tempo da minha vida.
Sermos dois, apenas um mais um,
É algo que relativizo na hora da firmeza.
O ponto de vista não absoluto do prazo,
Ou do tempo em si, como queiras,
Faz-me sentir mais confiante,
Pelo contrário, perdulário,
Dissipador da consciência íntima.
Parece que o tempo quebra e me termina.
Me faz viajar para longe de ti, e do teu lugar,
Onde me observas e fazes encarcerar o particular.
Estou a ficar fora do prazo deste amor,
Gasto e supérfluo do que não tenho.

14 de Julho de 2009

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Quinta-feira, Julho 09, 2009

Comigo nunca ficarás sozinha

Saudade, relutância, tremor,
Ambiguidade na amizade e no amor.
Comigo nunca ficarás sozinha.
Sou presente antes de ser ausente,
Sempre no princípio de todas as coisas.
Pelo menos tento...
Tento a certeza da minha presença
Para não cair na indiferença da minha ausência.
Não quero que sintas isso.
Como sei o que é estar absolutamente só
Mesmo no meio desta multidão indiferente.
Ouço-te num fio de voz ao longe.
Chamas o meu nome e eu corro.
Sempre corri. Para ti estou.
Estarei sempre.
Comigo nunca ficarás sozinha,
Contigo complemento o meu ser único.

9 de Julho de 2009

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Terça-feira, Julho 07, 2009

Na cidade

E a cidade adormece
Depois do ocaso forte de um dia morto.
Nada fiz, apenas assisti ao definhar do sol.
Podia lá eu salvá-lo, se a noite se ergueu.
O ar petrificou as minhas acções
Nesta noite de verão frio.
Se quiseres grito por ti,
Mas nada mais posso fazer.
Estou atado a esta ignorância nocturna
Que vai e vem todos os dias, antes de me deitar.
Pela janela vejo a cidade,
Engolida na alta noite.
O som das luzes criam em mim
Sonambulismos de chorar.
Quero dormir!
Acordar num sonho da cidade branca
E sorrir.

8 de Julho de 2009

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Quinta-feira, Julho 02, 2009

O caminho do desassossego

Conheço o caminho do desassossego.
Nele deambulo agora, surgindo aqui e ali
As dúvidas de uma nova realidade.
Desespero pela certeza, porém
Aguardo sereno o rumo da minha fortuna.

(Quero ser um gato, viver sete vidas e outras tantas)

Agora a inquietação é madrasta.
Traz-me a loucura do jogo de azar.
Tudo me faz perder, neste amor.
Como me perturba o ânimo saber
Que não és a calma que me pastoreia a consciência.

2 de Julho de 2009

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Terça-feira, Junho 30, 2009

Molestado pelo amor só (Sob o signo de Freud)

Se te dissesse o que quero
Saberias que almejo a luz firme.
Sei que iluminado sou diferente,
Portentoso, confiante.
Consigo inferir em mim
Um ser amolgado na sua proporção,
Molestado pelo amor só.
Não ignoro a tua presença
Por não existires aqui, na intimidade,
Mas amo-te.
Fantasio novas experiências
Neste tubo de ensaio que está dentro
Deste corpo indeterminado
Na sua forma e substância.
Contenho a súmula
De uma composição gasta no amor.
Quero readquirir a nova brandura
E servir, de novo, na bandeja da luxúria
A libido louca, sob o signo de Freud,
No incessante instinto de viver.

30 de Junho de 2009

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Terça-feira, Junho 23, 2009

Al-hamma

O meu lugar é aqui,
Onde os caminhos se estreitam
E as calçadas gastas cantam o fado.
No beco o cheiro a sardinha,
No pátio a roupa pendurada nos estendais.
Consigo ser assim, pitoresco,
Quando percorro as tuas ruelas.
Para mim és muito, Alfama velhinha,
Lugar de tradições; sobranceira,
Onde a varina canta a tua história
E o marinheiro, já velho, perdura na memória.

23 de Junho de 2009


Dedicado à sempre eterna e "minha" Alfama

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Mosca

Está ali uma mosca,
Parece-me imóvel na merda da parede
Como os porcos no pardieiro do poder.
Nada fazem, ali parados, os cabrões.
Só sabem subtrair aos outros
O pouco que estes têm.
Lembram hienas a devorarem a carne e os ossos
Deste povo ignóbil e sereno.
Cada vez mais tenho certo
Que a praga deste mundo somos nós.
Animais racionais de fraca rês.
Uns mais que os outros, confirmo.
Mas aquela mosca intriga-me.
Está no mesmo sítio desde
A mesma hora que a vi,
Agarrada como um sanguessuga
À pele do ser menor.
Lembro-me que podia ser melhor
O dever das nossas gentes,
Mas virando à esquerda ou à direita,
A porcaria é sempre a mesma,
Putrefacta e mal-cheirosa.
Por falar nisso, a mosca voou...

23 de Junho de 2009

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Segunda-feira, Junho 22, 2009

Respiro

No solstício do tempo quente
Apareceste para me dar ar,
Esse oxigénio da alma que tanto preciso.
Estava com dificuldades em respirar
Sempre que o amor me apertava
E me quebrava os sentidos.
Cheguei a asfixiar com a sua falta.
Consinto que nem sempre tudo é de mais,
Por vezes tudo é nada,
Outras o nada é quase muito.
Hoje foste muito,
Mesmo que quase nada me tenhas dado.
Mas não! Deste-me muito.
Pensavas o contrário, eu sei, eu sinto.
Precisei de ti e estiveste comigo;
Ajudaste-me a respirar melhor.

22 de Junho de 2009

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Sábado, Junho 20, 2009

O lençol

Claro que gostava de dormir contigo,
Agora que a minha cama me engole o corpo,
Neste quarto quente e solitário.
Reviro o sono do anseio.
Preciso de me sentir estático e abraçado
Pelo sonho da tua presença.
Esta noite sou insónia.
Não me entra na cabeça o inconsciente
Do dormir profundo e calmo.

Volta!

Devolve-me a almofada do teu corpo
E cobre-me com a acalmia da tua pele.
És o meu lençol.

20 de Junho de 2009

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Sexta-feira, Junho 19, 2009

Como uma ave

Quero ser uma ave
E pairar no alto, suspenso.
Sentir a pressão do ar em mim.
Leve, perceber as nuvens.
Ouvi dizer que contam histórias aos pássaros.

Apetece-me viajar a sul,
Onde o espaço aéreo é mais quente.
Lá, contemplo as paisagens do Estio.
Sinto-me mais incluído,
Mais cercado pela vontade do sol.

19 de Junho de 2009

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