o vento atravessa o saco roto
como atravessa a pele do tempo
restos de palavras caem
no chão húmido da memória
há um rumor de passos
que não regressam
um fio de luz
que se desfaz na poeira
imagem de tudo o que se perde
quando o corpo insiste
em guardar o que já não cabe
e a vida se abre
num silêncio gasto.
Macau, 8 de Junho de 2026