segunda-feira, julho 13, 2026

Sacrilégio

o corpo inclina-se
sobre a pedra fria

há um rumor de vento
que atravessa a pele
como lâmina invisível

sacrilégio é tocar
o silêncio gasto
com mãos que tremem
no limite da noite

o chão devolve
a sombra dos passos
que não regressam

e a vida insiste
em guardar o que se perde
num gesto breve
num sopro suspenso.

Macau, 13 de Julho de 2026

segunda-feira, julho 06, 2026

Sabor

Sabor da vida é sonho que se perde,
um vinho antigo que já não se bebe.
Na boca fica o gosto que não cede,
memória breve que o tempo não escreve.

Sabor da dor é sombra que persiste,
um eco lento que nunca se desfaz.
Na alma guarda o nada que resiste,
um sopro frio que nunca traz a paz.

Sabor do amor é chama que se apaga,
um lume brando que arde sem razão.
Na carne deixa a marca que se alaga,
um verso triste perdido no chão.

Macau, 6 de Julho de 2026

quinta-feira, julho 02, 2026

Sóbrio

um copo vazio
na mesa branca

a sombra do gesto
desaparece no silêncio

o corpo espera
sem nome
sem excesso

sóbrio é o instante
que não pede nada
e fica.

2 de Julho de 2026