um vinho antigo que já não se bebe.
Na boca fica o gosto que não cede,
memória breve que o tempo não escreve.
Sabor da dor é sombra que persiste,
um eco lento que nunca se desfaz.
Na alma guarda o nada que resiste,
um sopro frio que nunca traz a paz.
Sabor do amor é chama que se apaga,
um lume brando que arde sem razão.
Na carne deixa a marca que se alaga,
um verso triste perdido no chão.
Macau, 6 de Julho de 2026