Na névoa roxa do meu tédio vago,
Ai bolas, chove um sonho mal‑dizente;
A alma arrasta-se, trôpega e doente,
Entre suspiros, tretas e um mau fado.
O tempo, esse sacana, lento e amargo,
Rói-me a esperança, diabo persistente;
E eu penso: raios partam o presente,
Que tudo passa e nada fica em pago.
Ó vida, que chatice a tua dança,
Promessas vãs, conversa de tasca,
Um verso torto a rir da desgraça.
E nesta dor que em bruma se balança,
Digo asneiras ao vento que me lasca,
Só para ouvir a noite dar-me troça.
Macau, 24 de Maio de 2026






