A vidraça respira,
um sopro breve,
e o mundo dissolve-se em névoa.
As linhas da rua,
os rostos que passam,
tornam-se apenas manchas,
como se a memória fosse água
a escorrer devagar.
Embaciado,
o instante não se fixa:
é vapor que se levanta,
é silêncio que se repete,
é o contorno de um gesto
que nunca chega a ser inteiro.
E eu,
diante da superfície turva,
procuro o que resta —
um traço,
um reflexo,
um rumor de luz
que insiste em permanecer.
Macau, 3 de Junho de 2026






