Ao Vicente Lucas
Na névoa lenta de um campo vazio,
fica suspenso o gesto que não regressa.
A relva, ainda marcada, guarda
o peso leve dos teus passos,
como se o tempo hesitasse em apagar-te.
Vicente, nome que ecoa baixo,
quase sussurro nas bancadas mudas,
onde o azul se torna memória
e o jogo se dissolve em ausência.
Há um silêncio mais denso que a noite,
feito de partidas que não escolhem hora.
E tu, agora distante,
permaneces no instante interrompido,
como uma bola parada
antes do toque final.
Macau, 17 de Abril de 2026