é ausência de dono
um corpo que se desdobra
em múltiplas geografias
como se cada voz fosse
um fragmento de infinito
não é Portugal
nem Brasil
nem Angola
nem Macau
é todos e nenhum
a palavra portuguesa
não é unidade
é fissura
é pluralidade que insiste
em não se fechar
há nela o paradoxo
de ser comum
e ao mesmo tempo
irrepetível
a língua é filosofia
porque pensa o que não pode dizer
e diz o que não pode pensar
um labirinto de ecos
onde cada sílaba
se torna pergunta
e nunca resposta.
Macau, 10 de Junho de 2026