quarta-feira, junho 10, 2026

A língua como enigma

a língua não pertence
é ausência de dono

um corpo que se desdobra
em múltiplas geografias
como se cada voz fosse
um fragmento de infinito

não é Portugal
nem Brasil
nem Angola
nem Macau
é todos e nenhum

a palavra portuguesa
não é unidade
é fissura
é pluralidade que insiste
em não se fechar

há nela o paradoxo
de ser comum
e ao mesmo tempo
irrepetível

a língua é filosofia
porque pensa o que não pode dizer
e diz o que não pode pensar

um labirinto de ecos
onde cada sílaba
se torna pergunta
e nunca resposta.

Macau, 10 de Junho de 2026