o corpo rasgava-se em espasmos
como se a carne fosse vidro partido
o colchão engolia-me em silêncio
um buraco de ossos e saliva
onde o sangue latejava contra a ferrugem
os lençóis eram pele morta
colada às minhas feridas abertas
um sudário húmido de desejo e abandono
a cama era um animal apodrecido
devorava-me com dentes invisíveis
e eu, exausto, oferecia-lhe a minha ruína
na escuridão, o coração batia como punho
contra as paredes ocas da noite
até que o vazio se tornasse respiração.
30 de Junho de 2026