terça-feira, junho 30, 2026

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deitei-me numa cama gasta e oca
o corpo rasgava-se em espasmos
como se a carne fosse vidro partido

o colchão engolia-me em silêncio
um buraco de ossos e saliva
onde o sangue latejava contra a ferrugem

os lençóis eram pele morta
colada às minhas feridas abertas
um sudário húmido de desejo e abandono

a cama era um animal apodrecido
devorava-me com dentes invisíveis
e eu, exausto, oferecia-lhe a minha ruína

na escuridão, o coração batia como punho
contra as paredes ocas da noite
até que o vazio se tornasse respiração.

30 de Junho de 2026