quarta-feira, maio 27, 2026

Bruma do tédio

Na névoa roxa do meu tédio vago,

Ai bolas, chove um sonho mal‑dizente;

A alma arrasta-se, trôpega e doente,

Entre suspiros, tretas e um mau fado.


O tempo, esse sacana, lento e amargo,

Rói-me a esperança, diabo persistente;

E eu penso: raios partam o presente,

Que tudo passa e nada fica em pago.


Ó vida, que chatice a tua dança,

Promessas vãs, conversa de tasca,

Um verso torto a rir da desgraça.


E nesta dor que em bruma se balança,

Digo asneiras ao vento que me lasca,

Só para ouvir a noite dar-me troça.


Macau, 24 de Maio de 2026