terça-feira, agosto 25, 2026

Postigo

Abro o postigo à noite
e a lua entra como um sopro
de vidro partido

O vento traz murmúrios
de passos que já não existem
de vozes que se perderam
na poeira dos séculos

O postigo é fronteira
entre o dentro e o fora
entre o sonho e o esquecimento

Fico suspenso
na penumbra que desliza
como água lenta
como relógio sem tempo

E descubro que olhar
é sempre perder
o que nunca se possuiu.

Macau, 25 de Agosto de 2026