segunda-feira, agosto 17, 2026

Orientalismo

rasga-se a noite em lanternas vermelhas
um corpo atravessa o silêncio
procura a sombra de si próprio

há jasmim e ópio nos corredores
há vozes que se desfazem em névoa
há o desejo que se repete
um rito sem altar

orientalismo é palavra que se abre em fragmentos
um corte na pele
um reflexo que não coincide com o rosto

caminho entre ruínas
procuro o instante que não volta
procuro a memória que se dissolve
procuro o amor breve
que insiste em permanecer
mesmo quando já não existe

o mundo é apenas isto
um espelho partido
cada fragmento é verdade
cada verdade é mentira
reinventada no tempo.

Macau, 17 de Agosto de 2026