um corpo atravessa o silêncio
procura a sombra de si próprio
há jasmim e ópio nos corredores
há vozes que se desfazem em névoa
há o desejo que se repete
um rito sem altar
orientalismo é palavra que se abre em fragmentos
um corte na pele
um reflexo que não coincide com o rosto
caminho entre ruínas
procuro o instante que não volta
procuro a memória que se dissolve
procuro o amor breve
que insiste em permanecer
mesmo quando já não existe
o mundo é apenas isto
um espelho partido
cada fragmento é verdade
cada verdade é mentira
reinventada no tempo.
Macau, 17 de Agosto de 2026